Janeiro, 2019

AMOS OZ (1939-2018)

Não era apenas um grandíssimo escritor. Amos Oz, cuja obra em Portugal é e continuará a ser publicada pela Dom Quixote, era também mundialmente conhecido pela sua intervenção cívica e militância activa a favor do entendimento entre israelitas e palestinianos. Morreu na sexta-feira passada, dia 28 de dezembro, vítima de doença prolongada. A notícia provocou ondas de consternação um pouco por todo o Mundo.

A triste notícia foi dada a conhecer por uma das filhas do autor israelita, Fania Oz Salzberger, que, através da rede social Twitter, anunciou que o pai morreu “em paz, depois de uma breve luta contra o cancro.” A morte de Amos Oz era mais ou menos aguardada, pois numa das últimas entrevistas que concedeu, em Outubro de 2018, o autor de Uma História de Amor e Trevas recusou-se a tecer qualquer consideração sobre o seu estado de saúde. Apenas disse isto: “Não estou bem, mas estou a lutar.”

De Amos Oz podemos dizer muitas coisas. A mais relevante, porém, talvez seja que o seu enormíssimo talento nunca tenha sido devidamente reconhecido. Apontado, anos após ano, como um provável vencedor do Nobel da Literatura, acabou, lamentavelmente, por nunca ter sido distinguido com o galardão atribuído pela Academia Sueca.

Conquistou, ainda assim, variadíssimos prémios literários, entre os quais, o Prémio do Livro Yasnaya Polyana, criado pelo Museu Leo Tolstói, o Prémio Femina (1988), o Prémio dos Livreiros Alemães (1992), o Prémio Israel de Literatura (1998), o Prémio Goethe (2005), o Prémio Grinzane Cavour (2007), o Prémio Príncipe das Astúrias de Letras (2007), o Prémio Kafka (2013) e, em 2015, o Prémio Pak Kyongni, da Coreia do Sul.

De Amos Oz publicou a Dom Quixote, em setembro de 2018, o livro Caros Fanáticos, um conjunto de três ensaios sobre “fé, fanatismo e convivência no século XXI”, escritos a partir de “um sentido de urgência e preocupação e na crença de que um futuro melhor ainda é possível”.

Amos Oz, sem dúvida alguma o escritor israelita mais conhecido e lido no mundo, nasceu em Jerusalém, em 1939. Depois de ter passado grande parte da sua vida no kibutz Hulda, e depois em Arad, viveu em Telavive. Foi professor de literatura na Universidade Ben-Gurion, no deserto do Neguev. Escritor e jornalista, foi autor de uma vasta obra que inclui romances e ensaios traduzidos em mais de trinta línguas.  Encontram-se traduzidos em Portugal os livros A Caixa Negra, Conhecer Uma Mulher, A Terceira Condição, Não Chames Noite à Noite, Uma Pantera na Cave, O Meu Michael, O Mesmo Mar, Uma História de Amor e Trevas, Cenas da Vida de Aldeia, Entre Amigos e Judas.