A Noite e a Madrugada

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A Noite e a Madrugada

O médico, que lhes tinha um desprezo de asco, livrava‑os muitas vezes da morte, como fez a Joana, e seu ventre preguiçoso, cujo feto apodrecido e negro teve de ser puxado a ferros. O Dr. Providencia achava que podia dominar os miseráveis pelo terror, e os pavorosos casos clínicos a que ele acudia não eram mais do que bem‑aventuranças dos Ceus: «a fome e a doença tornavam mais doceis os camponeses». E, assim, submissos e domesticados, ele os ofertava aos suseranos da terra, perante as suas mesas fartas.
Do Prefácio, Ana Margarida de Carvalho
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Novidade / -10% Promoção válida de 2021-05-31 a 2021-09-08
Ano de Edição / Impressão / 2021
Número Páginas / 200

Dimensões / 234 x 13 x 158 mm
ISBN / 9789722130981
Editora / CAMINHO
Promoções Ativas: Novidades
Autor
Fernando Namora nasceu em Condeixa (15 de abril de 1919) e licenciou-se em Medicina na Universidade de Coimbra. 
É no ambiente coimbrão, sobretudo no meio estudantil, que as suas primeiras obras radicam, com destaque para Fogo na Noite Escura, que conforma com verdade e rigor o ambiente universitário dos anos 40. A experiência como médico de província acentuou-lhe um verdadeiro conhecimento do povo, sobretudo camponeses, mineiros, vagabundos, que são a base antropológica e social das suas mais fortes personagens nas suas ficções dessa época. Mais tarde mudou-se para Lisboa e fez parte do corpo clínico do Instituto de Oncologia, tendo a vida da grande cidade e do mundo também como matéria de outros livros decisivos, como Domingo à Tarde, Diálogo em Setembro, Os Adoradores do Sol, Os Clandestinos e Estamos ao Vento, eleito livro do ano 1974, ou Sentados na Relva.
Fernando Namora é um dos mais destacados criadores do neorrealismo, a que deu uma feição peculiar, sobretudo quando a sua arte absorve, renova, a mais genuína tradição picaresca peninsular ou as experiências da modernidade. 
Fernando Namora foi galardoado com prémios tão relevantes como o José Lins do Rego, o Prémio Ricardo Malheiros, da Academia de Ciências de Lisboa, os SOPEM e D. Dinis, entre vários. Foi proposto para o Prémio Nobel de Literatura, em 1981, pela Academia das Ciências de Lisboa e pelo PEN Clube, e agraciado com o Grande Oficialato da Ordem de Santiago e com a Grã Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique em 1988. Fernando Namora morreu em 31 de janeiro de 1989.