Sinopse

Lisboa respirava por tortuosos vão de ruelas, becos e travessas que nos adros se humanizavam e abriam. A matriz mediterrânica-mourisca descia do morro velho, radicava-se no plaino da Baixa, subia para São Francisco, a Trindade, São Roque, Santa Catarina. Havia becos sem nome e ruas com nomes vários como várias as bocas e as horas. Nos nomes ficaram registadas a flora - Rua da Amendoeira, da Oliveira, da Figueira, das Parreiras; os ofícios - Caldeiraria, Ferrarias Velhas e Novas, Correiaria, Tinturaria; o morador rico ou poderoso - Rua dos Martinis, de Dom Gil Eanes, do Conde da Vidigueira, do Barão; e até a América e a África se inculcavam na Rua do Peru ou do Mocambo. A cada passo nos confrontamos com o muro da cerca, o arco, a cruz, a porta, a torre velha ou nova, os moinhos de vento, os fornos, as atafonas, o outeiro, a laje, os canos, a ponte, a regueira, as varandas, os corredouros ou passadiços. Pronunciamos nomes antigos, não só para deleite das orelhas, mas para «tocar» com o som uma velha humanidade portuguesa que prolongamos com os nossos gestos e as nossas vozes.


António Borges Coelho nasceu em Murça, Trás-os Montes, em 1928. O seu percurso devida é caracterizado por uma intensa actividade política e académica. É hoje um dos historiadores portugueses mais prestigiados. Foi Professor Catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa, onde participou em numerosos júris de provas de mestrado, de doutoramento e de agregação e orientou inúmeras teses de mestrado e de doutoramento. Autor de uma vasta e riquíssima bibliografia (em que se inclui também a poesia, o teatro e a ficção), participou em diversos congressos e reuniões científicas, nomeadamente em Espanha e no Brasil. Foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago e recebeu o Prémio da Fundação Internacional Racionalista.

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Detalhes

  • ISBN: 9789722118033
  • Editora: CAMINHO
  • Ano de Edição / Impressão: 2007
  • Dimensões: 299 x 192 x 14 mm
  • Páginas: 4